quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Desperdícios de passagem
Estou me mudando de volta pra Goiânia, e esse trecho do filme Medianeras, diz um pouco
do que me passa pela cabeça quando penso em deixar a incrível cidade de São Paulo!
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Desperdícios bem guardados
Hoje encontrei na minha carteira um guardanapo rasgado com nome "Isac Enriquez", foi engraçado pq não me lembro em que contexto e porque desse nome! Fiquei pensando o quanto nos deparamos com coisas que tem importancia em um certo contexo e que depois isto se perde na memória ou no espaço multiplo que convivemos. Dai também me atentei pelo fato de guardar diversos papéis, e embalagens na bolsa, muito pelo hábito de guardar pra ser jogado no lixo depois, ou até msmo coisas que acho esteticamente interessante, ou que me lembram pessoas e acontecimentos. Acho que sempre tive essa mania de colecionar coisas cotidianas, parecem carregar experiencias, objetos com capacidade de expansão dos sentidos de alguma forma ;
O papelzinho com o dito eu tirei num biscoitinho da sorte, mas de certo modo faz muito sentido para mim, pois acredito muito em sinceridade! :)
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Caetano Veloso, Augusto de Campos: uma quinta feira a menos ou a mais
A tarde toda hj foi esperando, assistindo em pé numa salinha apertada e os olhos sem piscar com Caê e Augusto, falando coisas gostosas de ouvir da história da arte e música brasileira
O PULSAR - Concretismo e Tropicalismo
com CLAUDINEY FERREIRA [mediação] AUGUSTO DE CAMPOS
e CAETANO VELOSO
e CAETANO VELOSO
Umas anotações descordenadas:
Pound mito da mutação - café- retomar João Gilberto linha evolutiva- artigo jg e jg jovem guarda- precisavam de proteção augusto - movimento de resistência e provocativo, não org. Uma defesa articulada na critica e Augusto achou necessário ele profetizou com o artigo o que viria - poesia concreta ofendeu toda intelectualidade brasileira Augusto lupcineo rodrigues - cae/ joyce e camus- a poesia concreta teve importância através da música da época como militância, weber que tem a ver com João gilberto gerou uma simpatia com João Cabral de Melo , aroldo e decio sempre mais comunicativos. Augusto mais oito ou oitenta de João Gilberto, dialogo com Augusto algo mais profundo, mais mirabolannte e abrangente que previsivel que decio e aroldo com discussões - veblen e lupcineo e Caetano música um poema de Augusto depois gravou a caixa preta - notas próximas que eram parecidas com a fala causando estranheza e era o que eu queria - Augusto - pulsar - encontrou a estratégia certa o que não a torna simples- café tb música poesia do cami e Augusto mostra a versão de Caetano e ele diz - Isnt that womderful - uma difícil somplicidade de cage
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Desperdícios no caminho
Algumas fotos que vou tirando por ai enquanto ando na rua. Normalmente embalagens, papéis, ou objetos que se perdem por ai entre os fluxos no cotidiano.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Desperdício de pensamentos e vida
Tem dias que a angústia tem se tornado presente no meu corpo. Sentindo estômago se manifestar, o que diriam de um coração apertado. O momento é de mudanças e como acho difícil não me antecipar e ficar ansiosa pensando no que vai vir. Parece que a mente consome muita energia e o corpo fragmentado e indisposto. Gosto de ler poesia nesses dias, principalmente Caeiro, com quem me identifico nesses momentos:
XXIV - O que nós vemos
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludir-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
As flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores
Alberto Caeiro
XXIV - O que nós vemos
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludir-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
As flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores
Alberto Caeiro
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Desperdício entre hieraquias históricas, depilação feminina e futebol
Desculpe a demora para trazer o novo post! Mas estava viajando nesses dias, e tentando me recuperar. Deixarei um pequeno trecho de Deleuze e Guatarri que traduz um pouco do que ando sentindo em relação à minha percepção da vida, ainda mais depois de experimentar a cidade de Nova York, a cabeça ficou borbulhando pensamentos ...
"Estamos na idade dos objetos parciais, dos tijolos e dos restos. Já não acreditamos nesses falsos fragmentos que, como os pedaços de uma estátua antiga, esperam ser completados e reagrupados para comporem uma unidade que é, também, a unidade da origem. Já não acreditamos numa totalidade original nem sequer numa totalidade de destinação. Já não acreditamos na grisalha de uma ínspida dialética evoluída, que pretende pacificar os pedaços arredondando suas arestas. Só acreditamos em totalidade ao lado" (Deleuze e Guatarri, p. 62 - O anti-edipo)
Só pra constar, nós brasileiros continuamos sendo conhecidos pelo futebol e a depilação de virilha.
"Estamos na idade dos objetos parciais, dos tijolos e dos restos. Já não acreditamos nesses falsos fragmentos que, como os pedaços de uma estátua antiga, esperam ser completados e reagrupados para comporem uma unidade que é, também, a unidade da origem. Já não acreditamos numa totalidade original nem sequer numa totalidade de destinação. Já não acreditamos na grisalha de uma ínspida dialética evoluída, que pretende pacificar os pedaços arredondando suas arestas. Só acreditamos em totalidade ao lado" (Deleuze e Guatarri, p. 62 - O anti-edipo)
Só pra constar, nós brasileiros continuamos sendo conhecidos pelo futebol e a depilação de virilha.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Desperdício fotográfico: Getxo Photo 2011 (Espanha)
O coletivo Mentalglass faz uma intervenção fotográfica para o festival Getxo Photo na Espanha. São fotografias que cobrem balões de ar. Estas colocadas no mar como porta retratos esféricos flutuantes interagindo com a paisagem. A inserção de um elemento estranho que interfere nos fluxos habituais de tempo e espaço cotidianos.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Desperdício dobradura inventada
Ontem no aeroporto fiz o de costume, um café e um chocolate na lojinha da Copenhagen. Rasguei um pedaço do brilhante papel dourado da embalagem do chocolate e fiquei brincando de fazer dobradura de coisas inventadas! Primeiro fiz um bumerange de movimentos aleatórios, depois um catavento com multiplas pontas e por fim uma bussola que indica lugares impossíveis! Guardei meu objeto inventado na mochila e fui viajar. Chegando em Goiânia, minha mãe foi me mostrar um presente que havia ganhado, um porta retrato, fazia tempo que não via uma mistura com elementos tão pouco familiares uns aos outros fazer tanto sentido: moldura esmaltada com riscos dourados, uma libelula de strass, e a foto que me pareceu uma possível pintura de Botticelli! Achei o máximo isso, onde já se viu comprar um porta retrato desses com uma foto de uma celebridade renascentista! Me lembrei, então, de um trecho lido, a pouco no avião, no texto de Orlandi no livro em Zigue-zague - da Cris e da Rosane - em que traz a seguinte citação de Deleuze: "a questão é como relacionar as singularidades díspares ou relacionar os potenciais". Na mesma hora descobri uma função pro meu objeto inventado, seria um chapéu-bumerangue-catavento-bussula-ziguezagueante para aquela senhora estática no retrato! O que fez muito sentido incluído nessa potente composição singular. E assim foi! Vejam o resultado:
(por a caso alguém se lembra de qual quadro ela foi tirada?)
Aqui um texto entre Foucaut em Palavra e as Coisas, e a obra Rua de mão única de Benjamin ambas falando sobre modos de colecionar e classificar as coisas, assim tendo muito a ver com blog e esse fazer quase infantil o qual submeti minha dobradura!
Ah! vale dizer também que estou super influenciada por Nelson Leiner, saí radiante de sua exposição ontem! Em um próximo post falo um pouco dele e da expo! É no sesi paulista, tem que conferir!
Ah! vale dizer também que estou super influenciada por Nelson Leiner, saí radiante de sua exposição ontem! Em um próximo post falo um pouco dele e da expo! É no sesi paulista, tem que conferir!
sábado, 8 de outubro de 2011
Desperdício em Suspensão
Vídeo que fiz do avião durante o pôr-do-sol de um dia qualquer. Registrada por ser a hora do dia que mais gosto,... sentada observando a efemeridade linda estampada no céu. Poesia Visual
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Desperdício de Como olhar
A seguir, alguns vídeos que me atravessaram nesses dias de maneira bastante sensível! Todos de algum jeito me remetem ao modos de ver e perceber o mundo: quem nunca enxergou com os olhos, quem passa a ver o mundo com os próprios olhos e quem (não) vê o mundo através dos excessos visuais.
sábado, 24 de setembro de 2011
Desperdício ciematográfico - Cinema em Carne Viva
Essa semana e a próxima estou ocupando minha mente com essa mostra do David Cronenberg:
Dizer que estou adorando, pq tá transbordando minha cabeça de fluxos instáveis!
Dizer que estou adorando, pq tá transbordando minha cabeça de fluxos instáveis!
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Desperdício pra pensar - Intel Visual Life: Michael Wolff
Muito lindo esse pequeno documentário nas palavras de Michael Wolff um designer que diz muito bem sobre o papel de um criador em design através de sua experiência pessoal. Aqui no seu site ele fala mais um pouco, de A a Z, sobre as questões que acredita ser importantes. Vale a pena dar uma olhada!
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Desperdício que Inspira - Hélio Leites
Hélio Leites from Cesar Nery on Vimeo.
Pessoa incrível que tive oportunidade de conhecer no fds passado em visita à Maringá!
Aqui o blog do Unidos do Botão! Pra olhar e suspirar!
A fala sobre tristeza me lembra o poema do Caiero que postei outro dia.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
desperdício especial 11/09
Sim! Hoje é um dia bastante esperado por todos a semana toda passando reportagens, retrospectivas comentadas. De fato, foi um acontecimento que mudou um pouco a política de existência mundial! Eu estou guardando o motivo deste post, desde sexta feira passada! Comprei o jornal como faço toda sexta e me deparo com essa notícia "aterrorizante". Eu tinha tido a ideia de continuar fazendo recortes no jornal para colocar aqui, com aparente inutilidades, além disso, ontem assistindo o filme "Um conto chinês" - filme que vale a pena ver inclusive - mostra que um dos principais personagens coleciona resportagens absurdas de jornais, achei que seria mais um motivo incrível pra continuar nessa busca de disperdícios:
Um livro de colorir é o mais novo centro de polêmica nos Estados Unidos. O livro, que visa a ensinar as crianças sobre os ataques de 11 de setembro de 2001, gerou controvérsia por seu retrato dos muçulmanos e a interpretação dos eventos.
"É nojento", resume Dawud Walid, diretor do Conselho de Relações Americanas-Islâmicas, que lidera a campanha contra o que considera um livro perigoso e irresponsável.
Walid viu o livro e disse que cada menção ou representação dos muçulmanos ou do Islã é acompanhada das palavras terrorista ou extremista. Segundo ele, não há imagens ou referências aos muçulmanos que morreram nos ataques ou que ajudaram no resgate das vítimas.
Ele afirma ainda que o livro não menciona que a vasta maioria dos muçulmanos nos EUA e ao redor do mundo condena o terrorismo.
"É bobo pensar que uma criança que pinta o livro, que nunca teve contato com muçulmanos, sairá desta experiência com qualquer outra coisa que não medo dos muçulmanos ou pensamento de que os muçulmanos são más pessoas", disse Walid à agência de notícias France Presse.
O editor da Really Big Coloring Books, Wayne Bell, insistiu que o livro é um retrato honesto dos atentados.
"Nós dissemos esta verdade e nós a dizemos preto no branco", disse Bell. "Este livro é sobre 19 terroristas diabólicos que assassinaram 3.000 pessoas. Acontece que as pessoas que pilotaram os aviões contra os prédios eram jihadistas muçulmanos radicais."
Bell disse ainda que a equipe realizou extensa pesquisa e entrevistas com parentes de vítimas para escrever o livro. "O tema recorrente que ouvimos é para não fazer um livro que é politicamente correto", disse.
Segundo Bell, as pessoas pediram ainda um livro que fosse patriótico.
Com o título "Nós nunca esqueceremos o 11/09 - O livro infantil da Liberdade", a obra ensina às crianças que "extremistas islâmicos radicais que odeiam a liberdade" atacaram os EUA porque eles "odeiam o modelo americano de vida, porque somos livres".
Walid disse que esta interpretação simplista e populista dos ataques não é verdadeira e cita depoimentos do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e da comissão do Congresso que investigou os ataques e que concluiu que eles foram motivados pela crença de que a política internacional e a cultura "imoral" dos EUA estavam em guerra com o islã e os países muçulmanos.
Walid criticou ainda o desenho de Bin Laden escondido atrás de sua mulher quando foi morto a tiros por um agente especial dos EUA.
Bell rejeitou as críticas como a tentativa de explorar um "livro inocente" para promover agenda política. Para o editor, contudo, o debate foi muito positivo, elevando as vendas do livro.
Livro infantil sobre ataques de 11/09 irrita muçulmanos nos EUA
"É nojento", resume Dawud Walid, diretor do Conselho de Relações Americanas-Islâmicas, que lidera a campanha contra o que considera um livro perigoso e irresponsável.
Walid viu o livro e disse que cada menção ou representação dos muçulmanos ou do Islã é acompanhada das palavras terrorista ou extremista. Segundo ele, não há imagens ou referências aos muçulmanos que morreram nos ataques ou que ajudaram no resgate das vítimas.
Ele afirma ainda que o livro não menciona que a vasta maioria dos muçulmanos nos EUA e ao redor do mundo condena o terrorismo.
"É bobo pensar que uma criança que pinta o livro, que nunca teve contato com muçulmanos, sairá desta experiência com qualquer outra coisa que não medo dos muçulmanos ou pensamento de que os muçulmanos são más pessoas", disse Walid à agência de notícias France Presse.
O editor da Really Big Coloring Books, Wayne Bell, insistiu que o livro é um retrato honesto dos atentados.
"Nós dissemos esta verdade e nós a dizemos preto no branco", disse Bell. "Este livro é sobre 19 terroristas diabólicos que assassinaram 3.000 pessoas. Acontece que as pessoas que pilotaram os aviões contra os prédios eram jihadistas muçulmanos radicais."
(capa do livro)
Segundo Bell, as pessoas pediram ainda um livro que fosse patriótico.
Com o título "Nós nunca esqueceremos o 11/09 - O livro infantil da Liberdade", a obra ensina às crianças que "extremistas islâmicos radicais que odeiam a liberdade" atacaram os EUA porque eles "odeiam o modelo americano de vida, porque somos livres".
Walid disse que esta interpretação simplista e populista dos ataques não é verdadeira e cita depoimentos do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e da comissão do Congresso que investigou os ataques e que concluiu que eles foram motivados pela crença de que a política internacional e a cultura "imoral" dos EUA estavam em guerra com o islã e os países muçulmanos.
Walid criticou ainda o desenho de Bin Laden escondido atrás de sua mulher quando foi morto a tiros por um agente especial dos EUA.
(uma das imagens para colorir dentro do livro)
sábado, 10 de setembro de 2011
Livro de maquina - Alberto Caiero
Hoje voltando do cinema, resolvi olhar aquela maquina que vende livros no metrô. Logo me chamou a atenção uma capa toda desenhada de triângulos azuis e marrom. Logo o titulo era: Alberto Caiero. Sempre tive vontade e curiosidade de ler tal pseudônimo de Fernando Pessoal, foi então que consegui meu exemplar por simbólicos R$ 3,00 reais, uma vez que se trata de uma obra grandiosa de grande sensibilidade! Trago aqui um de seus poemas que acredito colaborar como um recorte que atravessa e compõe a construção deste blog.
XXI - Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembra-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Alberto Caiero
XXI - Se Eu Pudesse
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembra-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Alberto Caiero
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Desperdício que inspira!
Documentário Helen Rödel - Estudos MMXI (english subtitles) from Helen Rödel on Vimeo.
A coisa mais linda do meu dia que ganhei de presente da Jú!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
E os novos Back Street Boys... na janela do meu quarto!
Simmmmm!! Fui acordada por um enxame de adolescentes enlouquecidos por uma banda koreana (eu nunca tinha ouvido falar) que fez a bondade de se hospedar no hotel em frente a minha janela!
Dai vou ver o vídeo da banda e é isso:
Curti o estilo andrógeno, a make de dar invejinha em qualquer amiga hem??
Já os fans......???
Ah é, o que eu trouxe pra nossa coleção, do estilo "Mate um koreano e seja feliz":
MBLAQ fazendo S2
MBLAQ dando tchauzinho pros fans enlouquecidos
Uma pessoa quase caindo da janela do hotel pra tirar uma foto deles
Tia estilo indo pra feira e tentando entender o movimento!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Cildo Meireles
Exposição Projeto Ocupação
Instalação rio oir
dom 21 de ago - dom 02 de out 2011 - Itaú Cultural São Paulo - SP
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Desperdício diário (1)
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Poesia de vida
domingo, 21 de agosto de 2011
Indico:
Livro: Micropolíticas: Cartografias do desejopara baixar: http://gambiarre.org/2010/09/20/micropoliticas-cartografias-do-desejo/
1 mês sem postar nada, lendo algumas coisas e tentando administrar o fluxo que corre pela cabeça!
1 mês sem postar nada, lendo algumas coisas e tentando administrar o fluxo que corre pela cabeça!
Mais uma sessão no blog em que vou passar a indicar algumas coisas que fazem parte do meu cotidiano. Elementos que tenham como proposta traçar novos caminhos. Esse foi o último livro que comprei e começo a ler! Quem quiser compartilhar a leitura, tem o link ai em cima!
quinta-feira, 21 de julho de 2011
O ovo
Comprei um ovo pra fazer bolo e ele veio assim:
O ovo e a galinha
O ovo e a galinhaClarice Lispector
De manhã na cozinha sobre a mesa vejo o ovo.
Olho o ovo com um só olhar. Imediatamente percebo que não se pode estar vendo um ovo. Ver o ovo nunca se mantêm no presente: mal vejo um ovo e já se torna ter visto o ovo há três milênios. – No próprio instante de se ver o ovo ele é a lembrança de um ovo. – Só vê o ovo quem já o tiver visto. – Ao ver o ovo é tarde demais: ovo visto, ovo perdido. – Ver o ovo é a promessa de um dia chegar a ver o ovo. – Olhar curto e indivisível; se é que há pensamento; não há; há o ovo. – Olhar é o necessário instrumento que, depois de usado, jogarei fora. Ficarei com o ovo. – O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.Ver o ovo é impossível: o ovo é supervisível como há sons supersônicos. Ninguém é capaz de ver o ovo. O cão vê o ovo? Só as máquinas vêem o ovo. O guindaste vê o ovo. – Quando eu era antiga um ovo pousou no meu ombro. – O amor pelo ovo também não se sente. O amor pelo ovo é supersensível. A gente não sabe que ama o ovo. – Quando eu era antiga fui depositária do ovo e caminhei de leve para não entornar o silêncio do ovo. Quando morri, tiraram de mim o ovo com cuidado. Ainda estava vivo. – Só quem visse o mundo veria o ovo. Como o mundo o ovo é óbvio.O ovo não existe mais. Como a luz de uma estrela já morta, o ovo propriamente dito não existe mais. – Você é perfeito, ovo. Você é branco. – A você dedico o começo. A você dedico a primeira vez.Ao ovo dedico a nação chinesa.O ovo é uma coisa suspensa. Nunca pousou. Quando pousa, não foi ele quem pousou. Foi uma coisa que ficou embaixo do ovo. – Olho o ovo na cozinha com atenção superficial para não quebrá-lo. Tomo o maior cuidado de não entendê-lo. Sendo impossível entendê-lo, sei que se eu o entender é porque estou errando. Entender é a prova do erro. Entendê-lo não é o modo de vê-lo. – Jamais pensar no ovo é um modo de tê-lo visto. – Será que sei do ovo? É quase certo que sei. Assim: existo, logo sei. – O que eu não sei do ovo é o que realmente importa. O que eu não sei do ovo me dá o ovo propriamente dito. – A Lua é habitada por ovos.O ovo é uma exteriorização. Ter uma casca é dar-se.- O ovo desnuda a cozinha. Faz da mesa um plano inclinado. O ovo expõe. – Quem se aprofunda num ovo, quem vê mais do que a superfície do ovo, está querendo outra coisa: está com fome.O ovo é a alma da galinha. A galinha desajeitada. O ovo certo. A galinha assustada. O ovo certo. Como um projétil parado. Pois ovo é ovo no espaço. Ovo sobre azul. – Eu te amo, ovo. Eu te amo como uma coisa nem sequer sabe que ama outra coisa. – Não toco nele. A aura de meus dedos é que vê o ovo. Não toco nele – Mas dedicar-me à visão do ovo seria morrer para a vida mundana, e eu preciso da gema e da clara. – O ovo me vê. O ovo me idealiza? O ovo me medita? Não, o ovo apenas me vê. É isento da compreensão que fere. – O ovo nunca lutou. Ele é um dom. – O ovo é invisível a olho nu. De ovo a ovo chega-se a Deus, que é invisível a olho nu. – O ovo terá sido talvez um triângulo que tanto rolou no espaço que foi se ovalando. – O ovo é basicamente um jarro? Terá sido o primeiro jarro moldado pelos etruscos ? Não. O ovo é originário da Macedônia. Lá foi calculado, fruto da mais penosa espontaneidade. Nas areias da Macedônia um homem com uma vara na mão desenhou-o. E depois apagou-o com o pé nu.O ovo é coisa que precisa tomar cuidado. Por isso a galinha é o disfarce do ovo. Para que o ovo atravesse os tempos a galinha existe. Mãe é para isso. – O ovo vive foragido por estar sempre adiantado demais para a sua época. – O ovo por enquanto será sempre revolucionário. – Ele vive dentro da galinha para que não o chamem de branco. O ovo é branco mesmo. Mas não pode ser chamado de branco. Não porque isso faça mal a ele, mas as pessoas que chamam ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida. Chamar de branco aquilo que é branco pode destruir a humanidade. Uma vez um homem foi acusado de ser o que ele era, e foi chamado de Aquele Homem. Não tinham mentido: Ele era. Mas até hoje ainda não nos recuperamos, uns após outros. A lei geral para continuarmos vivos: pode-se dizer “um rosto bonito”, mas quem disser “O rosto”, morre; por ter esgotado o assunto.Com o tempo, o ovo se tornou um ovo de galinha. Não o é. Mas, adotado, usa-lhe o sobrenome. – Deve-se dizer “o ovo da galinha”. Se eu disser apenas “o ovo”, esgota-se o assunto, e o mundo fica nu. – Em relação ao ovo, o perigo é que se descubra o que se poderia chamar de beleza, isto é, sua veracidade. A veracidade do ovo não é verossímil. Se descobrirem, podem querer obrigá-lo a se tornar retangular. O perigo não é para o ovo, ele não se tornaria retangular. (Nossa garantia é que ele não pode: não poder é a grande força do ovo: sua grandiosidade vem da grandeza de não poder, que se irradia como um não querer.) Mas quem lutasse por torná-lo retangular estaria perdendo a própria vida. O ovo nos expõe, portanto, em perigo. Nossa vantagem é que o ovo é invisível. E quanto aos iniciados, os iniciados disfarçam o ovo.Quanto ao corpo da galinha, o corpo da galinha é a maior prova de que o ovo não existe. Basta olhar para a galinha para se tornar óbvio que o ovo é impossível de existir.E a galinha? O ovo é o grande sacrifício da galinha. O ovo é a cruz que a galinha carrega na vida. O ovo é o sonho inatingível da galinha. A galinha ama o ovo. Ela não sabe que existe o ovo. Se soubesse que tem em si mesma o ovo, perderia o estado de galinha. Ser galinha é a sobrevivência da galinha. Sobreviver é a salvação. Pois parece que viver não existe. Viver leva a morte. Então o que a galinha faz é estar permanentemente sobrevivendo. Sobreviver chama-se manter luta contra a vida que é mortal. Ser galinha é isso. A galinha tem o ar constrangido.É necessário que a galinha não saiba que tem um ovo. Senão ela se salvaria como galinha, o que também não é garantido, mas perderia o ovo. Então ela não sabe. Para que o ovo use a galinha é que a galinha existe. Ela era só para se cumprir, mas gostou. O desarvoramento da galinha vem disso: gostar não fazia parte de nascer. Gostar de estar vivo dói. – Quanto a quem veio antes, foi o ovo que achou a galinha. A galinha não foi sequer chamada. A galinha é diretamente uma escolhida. – A galinha vive como em sonho. Não tem senso de realidade. Todo o susto da galinha é porque estão sempre interrompendo o seu devaneio. A galinha é um grande sono. – A galinha sofre de um mal desconhecido. O mal desconhecido é o ovo. – Ela não sabe se explicar: “ sei que o erro está em mim mesma”, ela chama de erro a vida, “não sei mais o que sinto”, etc.“Etc., etc., etc.,” é o que cacareja o dia inteiro a galinha. A galinha tem muita vida interior. Para falar a verdade a galinha só tem mesmo é vida interior. A nossa visão de sua vida interior é o que chamamos de “galinha”. A vida interior na galinha consiste em agir como se entendesse. Qualquer ameaça e ela grita em escândalo feito uma doida. Tudo isso para que o ovo não se quebre dentro dela. Ovo que se quebra dentro de galinha é como sangue.A galinha olha o horizonte. Como se da linha do horizonte é que viesse vindo um ovo. Fora de ser um meio de transporte para o ovo, a galinha é tonta, desocupada e míope. Como poderia a galinha se entender se ela é a contradição de um ovo? O ovo ainda é o mesmo que se originou na Macedônia. A galinha é sempre tragédia mais moderna. Está sempre inutilmente a par. E continua sendo redesenhada. Ainda não se achou a forma mais adequada para uma galinha. Enquanto meu vizinho atende ao telefone ele redesenha com lápis distraído a galinha. Mas para a galinha não há jeito: está na sua condição não servir a si própria. Sendo, porém, o seu destino mais importante que ela, e sendo o seu destino o ovo, a sua vida pessoal não nos interessa.Dentro de si a galinha não reconhece o ovo, mas fora de si também não o reconhece. Quando a galinha vê o ovo pensa que está lidando com uma coisa impossível. É com o coração batendo, com o coração batendo tanto, ela não o reconhece.De repente olho o ovo na cozinha e vejo nele a comida. Não o reconheço, e meu coração bate. A metamorfose está se fazendo em mim: começo a não poder mais enxergar o ovo. Fora de cada ovo particular, fora de cada ovo que se come, o ovo não existe. Já não consigo mais crer num ovo. Estou cada vez mais sem força de acreditar, estou morrendo, adeus, olhei demais um ovo e ele me foi adormecendo.A galinha não queria sacrificar a sua vida. A que optou por querer ser “feliz”. A que não percebia que, se passasse a vida desenhando dentro de si como numa iluminura o ovo, ela estaria servindo. A que não sabia perder-se a si mesma. A que pensou que tinha penas de galinha para se cobrir por possuir pele preciosa, sem entender que as penas eram exclusivamente para suavizar, a travessia ao carregar o ovo, porque o sofrimento intenso poderia prejudicar o ovo. A que pensou que o prazer lhe era um dom, sem perceber que era para que ela se distraísse totalmente enquanto o ovo se faria. A que não sabia que “eu” é apenas uma das palavras que se desenham enquanto se atende ao telefone, mera tentativa de buscar forma mais adequada. A que pensou que “eu” significa ter um si-mesmo. As galinhas prejudiciais ao ovo são aquelas que são um “eu” sem trégua. Nelas o “eu” é tão constante que elas já não podem mais pronunciar a palavra “ovo”. Mas, quem sabe, era disso mesmo que o ovo precisava. Pois se elas não estivessem tão distraídas, se prestassem atenção à grande vida que se faz dentro delas, atrapalhariam o ovo.Comecei a falar da galinha e há muito já não estou falando mais da galinha. Mas ainda estou falando do ovo.E eis que não entendo o ovo. Só entendo o ovo quebrado: quebro-o na frigideira. É deste modo indireto que me ofereço à existência do ovo: meu sacrifício é reduzir-me à minha própria vida pessoal. Fiz do meu prazer e da minha dor o meu destino disfarçado. E ter apenas a própria vida é, para quem viu o ovo, um sacrifício. Como aqueles que, no convento, varrem o chão e lavam a roupa, servindo sem a glória de função maior, meu trabalho é o de viver os meus prazeres e as minhas dores. É necessário que eu tenha a modéstia de viver.Pego mais um ovo na cozinha, quebro-lhe a casca e forma. E a partir deste instante exato nunca existiu um ovo. É absolutamente indispensável que eu seja uma ocupada e uma distraída. Sou indispensavelmente um dos que renegam. Faço parte da maçonaria dos que viram uma vez o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem. Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós às vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, há um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos de amor. E então, não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente.A todos os agentes são dadas muitas vantagens para que o ovo se faça. Não é o caso de se ter inveja pois, inclusive algumas das condições, piores do que as dos outros, são apenas as condições ideais para o ovo. Quanto ao prazer dos agentes, eles também o recebem sem orgulho. Austeramente vivem todos os prazeres: inclusive é o nosso sacrifício para que o ovo se faça. Já nos foi imposta, inclusive uma natureza adequada a muito prazer. O que facilita. Pelo menos torna menos penoso o prazer.Há casos de agentes que se suicidam: acham insuficientes as pouquíssimas instruções recebidas e se sentem sem apoio. Houve o caso do agente que revelou publicamente ser agente porque lhe foi intolerável não ser compreendido, e ele não suportava mais não ter o respeito alheio: morreu atropelado quando saía de um restaurante. Houve um outro que nem precisou ser eliminado: ele próprio se consumiu lentamente na sua revolta, sua revolta veio quando ele descobriu que as duas ou três instruções recebidas não incluíam nenhuma explicação. Houve outro também eliminado, porque achava que “a verdade deve ser corajosamente dita”, e começou em primeiro lugar a procurá-la; dele se disse que morreu em nome da verdade com sua inocência; sua aparente coragem era tolice, e era ingênuo o seu desejo de lealdade, ele compreendera que ser leal não é coisa limpa, ser leal é ser desleal para com todo o resto. Esses casos extremos de morte não são por crueldade. É que há um trabalho, digamos cósmico, a ser feito, e os casos individuais infelizmente não podem ser levados em consideração. Para os que sucumbem e se tornam individuais é que existem as instituições, a caridade, a compreensão que não discrimina motivos, a nossa vida humana enfim.Os ovos estalam na frigideira, e mergulhada no sonho preparo o café da manhã. Sem nenhum senso da realidade, grito pelas crianças que brotam de várias camas, arrastam cadeiras e comem, e o trabalho do dia amanhecido começa, gritado e rido e comido, clara e gema, alegria entre brigas, dia que é o nosso sal e nós somos o sal do dia, viver é extremamente tolerável, viver ocupa e distrai, viver faz rir.E me faz sorrir no meu mistério. O meu mistério é que eu ser apenas um meio, e não um fim, tem-me dado a mais maliciosa das liberdades: não sou boba e aproveito. Inclusive, faço um mal aos outros que, francamente. O falso emprego que me deram para disfarçar a minha verdadeira função, pois aproveito o falso emprego e dele faço o meu verdadeiro; inclusive o dinheiro que me dão como diária para facilitar a minha vida de modo a que o ovo se faça, pois esse dinheiro eu tenho usado para outros fins, desvio de verba, ultimamente comprei ações na Brahma e estou rica. A isso tudo ainda chamo de ter a necessária modéstia de viver. E também o tempo que me deram, e que nos dão apenas para que no ócio honrado o ovo se faça, pois tenho usado esse tempo para prazeres ilícitos e dores ilícitas, inteiramente esquecida do ovo. Esta é a minha simplicidade.Ou é isso mesmo que eles querem que me aconteça, exatamente para que o ovo se cumpra? É liberdade ou estou sendo mandada? Pois venho notando que tudo que é erro meu tem sido aproveitado. Minha revolta é que para eles eu não sou nada, eu sou apenas preciosa: eles cuidam de mim segundo por segundo, com a mais absoluta falta de amor; sou apenas preciosa. Com o dinheiro que me dão, ando ultimamente bebendo. Abuso de confiança? Mas é que ninguém sabe como se sente por dentro aquele cujo emprego consiste em fingir que está traindo, e que termina acreditando na própria traição. Cujo emprego consiste em diariamente esquecer. Aquele de quem é exigida a aparente desonra. Nem meu espelho reflete mais um rosto que seja meu. Ou sou um agente, ou é a traição mesmo.Mas durmo o sono dos justos por saber que minha vida fútil não atrapalha a marcha do grande tempo. Pelo contrário: parece que é exigido de mim que eu seja extremamente fútil, é exigido de mim inclusive que eu durma como justo. Eles me querem preocupada e distraída, e não lhes importa como. Pois, com minha atenção errada e minha tolice grave, eu poderia atrapalhar o que se está fazendo através de mim. É que eu própria, eu propriamente dita, só tenho mesmo servido para atrapalhar. O que me revela que talvez eu seja um agente é a idéia de que meu destino me ultrapassa: pelo menos isso eles tiveram mesmo que me deixar adivinhar, eu era daqueles que fariam mal o trabalho se ao menos não adivinhassem um pouco; fizeram-me esquecer o que me deixaram adivinhar, mas vagamente ficou-me a noção de que meu destino me ultrapassa, e de que sou instrumento do trabalho deles. Mas de qualquer modo era só instrumento que eu poderia ser, pois o trabalho não poderia ser mesmo meu. Já experimentei me estabelecer por conta própria e não deu certo; ficou-me até hoje essa mão trêmula. Tivesse eu insistido um pouco mais e teria perdido para sempre a saúde. Desde então, desde essa malograda experiência, procuro raciocinar desse modo: que já me foi dado muito, que eles já me concederam tudo o que pode ser concedido; e que os outros agentes, muito superiores a mim, também trabalharam apenas para o que não sabiam. E com as mesmas pouquíssimas instruções. Já me foi dado muito; isto, por exemplo: uma vez ou outra, com o coração batendo pelo privilégio, eu pelo menos sei que não estou reconhecendo! Com o coração batendo de emoção, eu pelo menos não compreendo! Com o coração batendo de confiança, eu pelo menos não sei.Mas e o ovo? Este é um dos subterfúgios deles: enquanto eu falava sobre o ovo, eu tinha esquecido do ovo. “Falai, falai”, instruíram-me eles. E o ovo fica inteiramente protegido por tantas palavras. Falai muito, é uma das instruções, estou tão cansada.Por devoção ao ovo, eu o esqueci. Meu necessário esquecimento. Meu interesseiro esquecimento. Pois o ovo é um esquivo. Diante de minha adoração possessiva ele poderia retrair-se e nunca mais voltar. Mas se ele for esquecido. Se eu fizer o sacrifício de esquecê-lo. Se o ovo for impossível. Então – livre, delicado, sem mensagem alguma para mim – talvez uma vez ainda ele se locomova do espaço até esta janela que desde sempre deixei aberta. E de madrugada baixe no nosso edifício. Sereno até a cozinha. Iluminando-a de minha palidez.quarta-feira, 20 de julho de 2011
Troca-troca
Hana Pesut










Fotógrafa de autodidata cresceu em Whistler e atualmente vive em Vancouver. O foco de sua fotografia são os "pequenos momentos" fotografados de maneira bastante intuitiva. Um trabalho autoral que inspira pessoas a tirar fotos no seu dia a dia.
Nesse projeto propõe que casais troquem suas roupas habituais para serem fotografados.










terça-feira, 12 de julho de 2011
Desabafo
A demora para o próximo post demonstra um pouco da minha frustração em não ter conseguido realizar uma das coisas mais divertidas que queria postar aqui no blog; tentei plantar um pé de feijão no algodão, duas vezes, e não nasceu nada! Alguém tem alguma sugestão pro plantio?
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Antonio Vega Macotela - Time Divisa
Mais uma obra exposta na 29 bienal de São Paulo.
Uma das obras que me inspirou no trabalho da Barraca do Beijo, que propõe outros modos de trocas de forma simbólicas além da monetária; em sua obra propõe que se dêem a partir da troca do tempo.






O artista parte da afirmação de que “só o tempo pode equivaler ao tempo”, referindo-se à noção marxista de equivalência – como característica essencial e imanente à mercadoria –, para orientar sua composição que, assim, poderia questionar a mercantilização do tempo e a coisificação da vida e aspirar a um sistema de trocas que não fosse motivado pela moeda, mas por valores afetivos, por desejos ou por ideais como a liberdade. Cada uma dessas trocas temporais – uma para cada dia do ano – resultou, portanto, em um objeto a ser exposto.
Alguns dos resultados dessas trocas são: um quadro com uma colagem feita a partir da organização de unhas – as dos companheiros de cela – numa folha de papel; outra folha: bitucas de cigarro; um mapa acústico com a representação gráfica dos sons do entorno da cela; um mapa da prisão, medida em passos de um ambiente a outro [veja imagens e registros do projeto da obra]. A escolha do ambiente prisional não é casual. Nele, os tempos são todos medidos e determinados segundo as leis e os valores de uma sociedade e de seu sistema produtivo.
É interessante notar que, em Time Divisa, o objeto de arte não é considerado como tal simplesmente por meio da ordenação de seu material. Mas o é, muito mais por conta da experiência e dos valores que mobiliza: no local de exposição restam os resíduos da ação de troca, entretanto estes não são apenas documentos – como os registros dehappenings, normalmente documentados por fotos, relatos, ou artigos de jornal –, trazem em sua forma a realização, organizada como objeto de arte, da experiência (ou experimento) que os levou a serem construídos."
É interessante notar que, em Time Divisa, o objeto de arte não é considerado como tal simplesmente por meio da ordenação de seu material. Mas o é, muito mais por conta da experiência e dos valores que mobiliza: no local de exposição restam os resíduos da ação de troca, entretanto estes não são apenas documentos – como os registros dehappenings, normalmente documentados por fotos, relatos, ou artigos de jornal –, trazem em sua forma a realização, organizada como objeto de arte, da experiência (ou experimento) que os levou a serem construídos."
texto completo disponível em: http://www.sibila.com.br/index.php/arterisco/1695-29o-bienal-de-artes-de-sao-paulo
segunda-feira, 4 de julho de 2011
segunda feira: dever de casa: recorte e cole
( Rolnik, in Cultura e Subjetividade - Saberes Nômades: Uma insólita viagem à subjetividade - Fronteiras com a ética e a cultura, p. 30)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Carnaval fora de época
Desfile Ronaldo Fraga 2012

Matou a família e foi ao cinema - Julio Bressane 1969:
Rasguei a minha fantasia
Matou a família e foi ao cinema - Julio Bressane 1969:Rasguei a minha fantasia
O meu palhaço
Cheio de laço e balão
Rasguei a minha fantasia
Guardei os guizos no meu coração
Fiz palhaçada
O ano inteiro sem parar
Dei gargalhada,
Com tristeza no olhar
A vida é assim...
A vida é assim...
O pranto é livre,
Eu vou desabafar
Tentei chorar,
Ninguém no choro acreditou
Tentei amar,
E o amor não chegou
A vida é assim...
A vida é assim...
Comprei uma fantasia de pierrô
Cheio de laço e balão
Rasguei a minha fantasia
Guardei os guizos no meu coração
Fiz palhaçada
O ano inteiro sem parar
Dei gargalhada,
Com tristeza no olhar
A vida é assim...
A vida é assim...
O pranto é livre,
Eu vou desabafar
Tentei chorar,
Ninguém no choro acreditou
Tentei amar,
E o amor não chegou
A vida é assim...
A vida é assim...
Comprei uma fantasia de pierrô
(Mario Reis - Rasguei a minha fantasia)
"No Carnaval, que os atores da ordem saiam de si mesmos e produzam outros gestos. Que suspeitem da conduta adequada ao tempo do trabalho e se vejam, no espelho invertido do que é socialmente esperado, logo do que simbolicamente limita muito o ser humano." ( A Cultura na Rua Carlos Rodrigues Brandão, p. 9 )
"No Carnaval, que os atores da ordem saiam de si mesmos e produzam outros gestos. Que suspeitem da conduta adequada ao tempo do trabalho e se vejam, no espelho invertido do que é socialmente esperado, logo do que simbolicamente limita muito o ser humano." ( A Cultura na Rua Carlos Rodrigues Brandão, p. 9 )
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Trabalhos transversais - Alessandra Sanguinetti
Ontem conversando com amigos no café tive ideias para o post de hoje.
Vou apresentar aqui no blog trabalhos de artistas que problematizam de alguma forma aspectos do contemporâneo a partir de suas obras. E as relacionando com algum referencial teórico para que se possa estabelecer uma possível reflexão. Como um espaço aberto para se repensar os modos normativos de existência em que nos são impostos na sociedade. São obras que de forma transversal atravessam o meu pensamento e inspiram a produção de novas estratégias para o blog. "De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão do saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para continuar a olhar ou a refletir." (FOUCAULT, História da sexualidade vol. II: "O uso dos prazeres", p. 15)
Hoje apresentando o trabalho Las aventuras de Guille y Belinda y el enigmático da artista argentina Alessandra Sanguinetti (tem mais fotos no site):
"A série Las aventuras de Guille y Belinda y el enigmático significado de sus sueños é composta por imagens fotográficas doces, ternas, estranhas e eminentemente narrativas, que cristalizam um imaginário infantil mesmo quando acompanham ritos de passagem à vida adulta. As situações subjetivas e poéticas propostas para Guille e Belinda aproximam-se dos universos literários de Julio Cortázar, Lewis Carroll e William Shakespeare. Suas imagens fazem referência às iconografias romântica, simbólica e vitoriana, ao mesmo tempo em que citam gêneros convencionais da representação popular e vivencial latino-americana. " - site 29 bienal
sexta-feira, 17 de junho de 2011
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