Ontem no aeroporto fiz o de costume, um café e um chocolate na lojinha da Copenhagen. Rasguei um pedaço do brilhante papel dourado da embalagem do chocolate e fiquei brincando de fazer dobradura de coisas inventadas! Primeiro fiz um bumerange de movimentos aleatórios, depois um catavento com multiplas pontas e por fim uma bussola que indica lugares impossíveis! Guardei meu objeto inventado na mochila e fui viajar. Chegando em Goiânia, minha mãe foi me mostrar um presente que havia ganhado, um porta retrato, fazia tempo que não via uma mistura com elementos tão pouco familiares uns aos outros fazer tanto sentido: moldura esmaltada com riscos dourados, uma libelula de strass, e a foto que me pareceu uma possível pintura de Botticelli! Achei o máximo isso, onde já se viu comprar um porta retrato desses com uma foto de uma celebridade renascentista! Me lembrei, então, de um trecho lido, a pouco no avião, no texto de Orlandi no
livro em Zigue-zague - da Cris e da Rosane - em que traz a seguinte citação de Deleuze: "a questão é como relacionar as singularidades díspares ou relacionar os potenciais". Na mesma hora descobri uma função pro meu objeto inventado, seria um chapéu-bumerangue-catavento-bussula-ziguezagueante para aquela senhora estática no retrato! O que fez muito sentido incluído nessa potente composição singular. E assim foi! Vejam o resultado:
(por a caso alguém se lembra de qual quadro ela foi tirada?)
Aqui um texto entre Foucaut em Palavra e as Coisas, e a obra Rua de mão única de Benjamin ambas falando sobre modos de colecionar e classificar as coisas, assim tendo muito a ver com blog e esse fazer quase infantil o qual submeti minha dobradura!
Ah! vale dizer também que estou super influenciada por Nelson Leiner, saí radiante de sua exposição ontem! Em um próximo post falo um pouco dele e da expo! É no sesi paulista, tem que conferir!
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