


"... para manter assim mesmo sua ilusão, ele toma algumas doses de 'identidade
prêt-à-porter'. Trata-se de uma droga disponível em profusão no mercado da mídia, sob todas as formas e para todos os gostos: são as miragens de personagens globalizados, vencedores e invencíveis, envoltos por uma aura de incansável
glamour, que habitam as etéreas ondas sonoras e visuais da mídia; personagens que parecem pairar acima das turbulências do vivo e da finitude de suas figuras. Mimetizando um desses personagens imaginários, ele passa a falar uma língua-jargão lotada de clichês, sem ancoragem em sensibilidade alguma, o que soa especialmente
fake quando se trata de um repertório com uma certa sofisticação intelectual. Obviamente ele nunca chega lá, que lá é uma miragem. E quanto mais se frustra, mais corre atrás; e quanto mais desorientado, estressado, ansioso, perseguido e culpado, deprimido, em pânico, mais ele se droga. Um círculo vicioso infernal."
( Rolnik, in Cultura e Subjetividade - Saberes Nômades: Uma insólita viagem à subjetividade - Fronteiras com a ética e a cultura, p. 30)
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