sábado, 10 de setembro de 2011

Livro de maquina - Alberto Caiero

Hoje voltando do cinema, resolvi olhar aquela maquina que vende livros no metrô. Logo me chamou a atenção uma capa toda desenhada de triângulos azuis e marrom. Logo o titulo era: Alberto Caiero. Sempre tive vontade e curiosidade de ler tal pseudônimo de Fernando Pessoal, foi então que consegui meu exemplar por simbólicos R$ 3,00 reais, uma vez que se trata de uma obra grandiosa de grande sensibilidade! Trago aqui um de seus poemas que acredito colaborar como um recorte que atravessa e compõe a construção deste blog.

XXI - Se Eu Pudesse

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembra-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Alberto Caiero

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