Tem dias que a angústia tem se tornado presente no meu corpo. Sentindo estômago se manifestar, o que diriam de um coração apertado. O momento é de mudanças e como acho difícil não me antecipar e ficar ansiosa pensando no que vai vir. Parece que a mente consome muita energia e o corpo fragmentado e indisposto. Gosto de ler poesia nesses dias, principalmente Caeiro, com quem me identifico nesses momentos:
XXIV - O que nós vemos
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludir-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
As flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores
Alberto Caeiro
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