quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sobre cinzas, quarta feira, e confetes!


Esses dias andei com muita vontade de retornar com blog, nos momentos mais críticos de se viver nesse mundo acelerado, sinto a necessidade dele que me permite respirar, e aqui, o que se dá a partir de proposta de  se viver pequenos desperdícios diários. O que muitas vezes me faz perceber diversos elementos outros, além desses inseridos na vivência automática cotidiana.

Hoje, dia emblemático, quarta feira de cinzas, que para mim significando justamente isso, um tempo, ou um dia, para reflexão, da mudança de vida, recordando a fragilidade da vida humana. Neste blog, desde sua criação e nome, há a preocupação em se estimular modos de reflexão sobre o tempo e espaço contemporâneo. Assim trago dois trabalhos significativos para este momento. 
O primeiro sendo o trabalho do grupo Belo Horizonte, chamado PORO, que traz o trabalho Perca Tempo (2010), uma ação em que abrem faixas como escrito de "Perca Tempo" no transito da cidade, e ainda a distribuição de panfletos intitulados "10 maneiras incríveis de perder tempo", e todos os participantes da ação possuindo um bottom escrito "10 maneiras de perder tempo, pergunte-me como"



O segundo trabalho sendo da artista brasileira e também mineira Rivane Neuenschwander com o trabalho intitulado Quarta feira de cinzas:

"Como um bloco carnavalesco absurdo, cada formiga morde um confete dez vezes o seu tamanho, ergue-o acima da cabeça e segue adiante. As pequenas criaturas então desfilam ritmadas ao batuque de um samba tocado em caixa de fósforos, celebrando um carnaval como nunca se viu. Uma por uma, terminam o desfile terra adentro levando consigo seu colorido tesouro (a quem diga que ainda enfeitarão o quarto da rainha).



A cena acima não é de nenhum filme surrealista. Trata-se na verdade da obra "Quarta-Feira de Cinzas", vídeo da artista plástica Rivane Neuenschwander, parte do acervo permanente da TATE Modern. Ela já foi definida como "uma condutora de orquestras invisíveis", sua arte une o efêmero com sensualidade e rigor e levanta questões relativas à sorte, temporalidade, natureza e linguagem." (texto de: blog o passageiro)

Pra finalizar o post trago em minhas palavras uma história que Hélio Leites me contou certa vez sobre os confetes de carnaval; ele dizia que o carnaval durava 30 dias, as pessoas tinham tempo de fazer festa naquela época, diferente de hoje, mas como era uma festa da carne, ao final das festas deveriam queimar suas fantasias, o que conhecemos como quarta feira de cinzas, para assim se redimir pelos dias da comemoração da carne. O que acontecia era que neste processo os botões não se queimavam, porque não eram feitos de plástico como hoje, e assim, sobravam no meio das cinzas, e as crianças pegavam aquilo para fazer guerrinha, mas machucava, daí então criaram o confete. Parece explicação mirabolante de criança, mas sustenta toda a magia do carnaval, eu fiquei encantada. Bom dia!


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